Sexo na maturidade

O que muda com o passar do tempo.

Sexo é bom em todas as idades, mas não é sempre igual. “A sexualidade é parte integrante da nossa vida, seja no campo genital, seja no campo afetivo, e manter uma atividade sexual é preservar uma possibilidade de prazer individual e também de encontro com o outro”, diz a psicóloga e terapeuta sexual, Ana Canosa, que atua com o público maduro.

Ana Canosa, terapeuta sexual

“Quando comecei a dar aulas de sexualidade para a terceira idade, há 18 anos, os mitos, as crendices e todo o desconforto em tratar do assunto eram muito maiores. O acesso à tecnologia, o maior debate sobre sexualidade na mídia, os avanços da medicina e a convivência com uma geração mais livre sexualmente favorecem demais para que o assunto não seja mais encarado como tabu.”, explica.

Mas algumas dificuldades ficam mais frequentes com a idade, como problemas de desejo e excitação e também a dificuldade de encontrar parceria amorosa. “Temos um gap enorme, pois os homens estatisticamente morrem mais cedo e ainda buscam mulheres mais novas para se relacionar. Então, nem sempre as mulheres que estão sozinhas na maturidade conseguem encontrar parceiros para compartilhar esses prazeres.”, destaca a terapeuta sexual.

Para sanar os problemas relacionados a desejo e excitação, “a medicina e a terapia sexual são ferramentas importantes que minimizam sintomas e apontam caminhos. Porém, ainda há dificuldade na busca de ajuda terapêutica, principalmente dos homens mais velhos, que acham que tudo se resolve com um medicamento para ereção.”.

A imagem que ilustra esta matéria é do filme “Um divã para dois”, estrelado por Meryl Streep e Tommy Lee Jones, em que o casal procura ajuda profissional para resolver os problemas que estão enfrentando na cama.

Mudanças

Com o envelhecimento, “o corpo vai se transformando e há diminuição na produção dos hormônios sexuais, o que modifica a resposta sexual”, diz Ana.

“Também é um processo emocional, já que em nossa cultura o envelhecimento é encarado como uma etapa de perdas e não de ganhos; tudo aquilo que compreendemos como sexy, bonito e excitante está associado à juventude. Você precisa encontrar erotismo, mas não tem referências e reforços externos positivos”, explica a sexóloga.

Também há grandes diferenças entre homens e mulheres nesse sentido. “A menopausa tende a provocar mudanças mais abruptas do que a andropausa. Enquanto na andropausa os homens vão tendo diminuição da produção de testosterona de maneira gradual, as mulheres sofrem mais intensamente com fogachos, diminuição da lubrificação, irritabilidade, baixa de desejo e alteração no padrão de sono, o que pode atrapalhar a disponibilidade da mulher para o encontro sexual”, expõe Ana.

A terapeuta destaca que “nem todas as mulheres sofrem ou apresentam sintomas e um bom acompanhamento médico auxilia no processo, minimizando os efeitos indesejáveis. O acompanhamento psicológico também favorece muito a vivência do fenômeno.”.

Cuidados

Vale lembrar que, mesmo sem a possibilidade de engravidar, é preciso se prevenir durante o sexo. Doenças não enxergam idade! “Essa geração não esteve acostumada ao uso do preservativo, que era associado na sua juventude ao relacionamento com profissionais do sexo e para evitar gravidez”, diz a sexóloga.

“Soma-se a isso os problemas de manutenção da ereção quando vão colocar o preservativo, no entanto é imprescindível alertar essa população que há muitas Infecções Sexualmente Transmissíveis além da AIDS, que acometem pessoas de todas as idades por falta de prevenção.”, conclui Ana.

Dados recentes mostram que a propagação do vírus HIV está diminuindo em praticamente todas as idades, com exceção os que passaram dos 60 anos. Por isso, vamos viver o agora e nos prevenir!

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